30 março 2006
Brasília e suas satélites de lama
Outro dia tive que ir numa das mais de 300 obras inaguradas no final do quarto mandato do populista Roriz. Fomos para Itapuã, uma invasão até o ano passado. Lama e mais lama inclusive dentro do prédio novo da administração da "cidade". É nojento ver gente que vive literamente no lixo chamando o governador de Santo. Lula e Chavéz ficam no chinelo perto desse governador grilheiro e ligado ao jogo do bicho.
Enquanto Itapuã não tem nada, a quadrilha dele e de empresas ligadas ao bicheiro Carlos Cachoeira levaram nada menos do que R$ 2,6 bilhões em contratações irregulares na área de informática desde 1999. Descobri isso no segundo dia como repórter no Tribuna do Brasil. Claro que o jornal não deu uma linha. O Tribuna como os outros, inclusive o Correio onde fiquei até o final de 2005, dependem das verbas do Roriz.
Vcs devem estar pensando: não é quase nada diferente dos periódicos chapa branca de Floripa e além disso o cara não vê o mar. É quase isso, mas o mercado aqui é o maior do país para jornalistas e a cidade (o Plano Piloto) tem sim bastante qualidade de vida. Vou ficando por aqui, mas prometo contar mais peripécias e coisas da cidade federal.
Uma cidade puxa outra
- Vou mudar de cidade.
Decisão tomada, risco aceito. Fez montinhos: algumas roupas, as poucas economias. Avisou a família assim, de qualquer jeito, de bate-pronto.
- E você vai pra onde, meu filho?
Não tinha resposta para a pergunta do pai. Apenas queria mudar de cidade. Trocar o tédio pelo duvidoso.
- Você tem certeza disso?
- Claro, mãe. É isso o que eu quero.
Despediu-se. Recebeu algumas recomendações e partiu.
(...)
- Então, filho, como estão as coisas aí?
Pensou em responder com a verdade, mas preferiu tranqüilizar o pai.
- Está tudo bem, tudo tranqüilo.
Do outro lado da linha agora estava a mãe que falava da saudade que sentia. O filho, por sua vez, brigava com o vento para não perder os classificados do jornal.
- E o trabalho, como é?
Pensou em responder com a verdade, mas preferiu tranqüilizar a mãe.
- Olha, mais tarde eu volto à ligar. Tenho que desligar. Benção, mãe.
- Deus te abençoe, filho. Te cuida.
(...)
- Alô, pai, tudo bem?
- Oi, filho, tudo bem sim e você?
Pensou em responder com a saudade, mas preferiu tranqüilizar o pai.
- Está tudo indo muito bem. Estou gostando muito dessa cidade. O senhor precisa ver. As pessoas são ótimas, já fiz muitos amigos.
- E quando é que você volta?
Pensou em responder com a verdade, mas preferiu tranqüilizar o pai.
- Assim que tiver uma folga vou aí visitar vocês.
Ouviu a alegria do pai do outro lado da linha, enquanto fechava a porta do apartamento vazio.
- Agora tenho que ir.
E foi. Promovido e transferido pela empresa. Para mais longe, para outra cidade.
Pensou em contar a novidade, mas preferiu tranqüilizar o pai.
29 março 2006
Cinema, papéis e catadores
Hoje eu recebi um desses papéis, que oferecia muito sem pedir um tostão em troca. Não, não era uma promessa de salvação de alguma igreja. Era o “Ciclo de filmes e debates: ditaduras e o cinema”, que acontece de “27 de março a 01 de abril, no auditório da Faed/Udesc, na rua Saldanha marinho, número 196, sempre às 18h30”. O filme em cartaz era Estado de Sítio, do Costa-Gravas, aclamado diretor grego que fez fama na década de 70 com obras de cunho político. O filme é excelente e conta o seqüestro do embaixador brasileiro e de um agente da CIA pelos guerrilheiros do Tupamaro. De brinde, o grupo CineArth, responsável pela mostra, realizou uma palestra com o escritor uruguaio Juan Luis Berterretche e com a professora de cinema e história da UFSC Fátima Lisboa.
Na volta para casa vi um catador revirando o lixo, na busca de garrafas de refrigerante ou latas de cerveja. Para meu azar não estava a procura de papel ou mesmo papelão, se estivesse poderia escrever esse texto como aprendi nas aulas do curso de jornalismo, onde o final se articula com a idéia inicial. Pena... Mesmo assim fica a dica – com a chegada do clima mais ameno trocar a cervejinha do happy hour por uma projeção de um bom filme numa sala escura. Para os interessado, abaixo a programação:
30/03/06 – Lamarca
Debatedores: Eliane Lisboa (jogral edição e artes ltda) e Maurício dos Santos (geografia da Udesc)
31/03/06 – Lúcio Flávio, o passageiro da agonia
Debatedores: José Paulino da Silva Júnior e Felipe Falcão (História da Udesc)
01/04/06 – Cabra Cega
Debatedores: Fátima Lima (artes cênicas da Udesc) e membro da delegação brasileira de psicanálise - SC
Sete cidades e sete frutíferas associações de idéias
Recife - pitomba
Floripa - butiá
Fortaleza - murici
Belém - manga
São Joaquim - maçã
Rancho Queimado - morango
Mais?
A Ilha
As cabeceiras das pontes de concreto foram demolidas. As duas estruturas dos vãos centrais foram unidas e transformadas numa ilha artificial no meio do canal que liga as baías Norte e Sul. Ali passaram a funcionar as sedes da VOC e da poderosa Polícia Naval (PN), a força militar de ocupação encarregada de restabelecer a ordem. A terceira ponte, antiga estrutura pênsil de metal desativada, mas alta o suficiente para escapar da elevação do nível do mar, foi recuperada para a passagem de um trem, agora o único acesso terrestre. Sem estrada de rodagem nem aeroporto (igualmente sob o oceano), a ilha passou a ter o mar como principal entrada.
As áreas dos morros, antes tomadas por favelas, passaram a ser valorizadas por estarem a salvo das marés e conterem preciosas fontes de água potável. Bairros inteiros foram comprados por investidores. Quando os traficantes recusaram-se a deixar suas bases, a Polícia Naval declarou guerra. Foram dois anos de bombardeio e combates a guerrilhas de narcotraficantes até que todos os morros fossem tomados pela PN e pela VOC.
Expulsos dos morros...
[ Leia na área +D1 Especial, na coluna ao lado, todos os capítulos de A Ilha ]
28 março 2006
A Ilha que acolhe, a cidade que adoto
E é ela mesma, Floripa, que me encanta e seduz. Não é essa ou aquela administração pública, aquele ou outro empreendimento privado que me retém aqui. É ela, Floripa, com sua infinidade de praias, lagoas, cachoeiras, morros, todo tipo de recanto natural. Às vezes fico desanimado com a falta de oportunidades profissionais da cidade, penso em ir buscá-las em outro lugar, mas basta ver o pôr-do-sol, sentado em uma pedra isolada, para que esse pensamento logo se perca...
Também já caí na tentação de dizer “conheço todas as praias, todas as trilhas, todos os recantos”. Sem falsa modéstia, conheço muito, mas sempre mordo a língua e descubro um novo paraíso, algum lugar que não conheço, inclusive a cinco minutos de casa.
A ilha que confina
Ultimamente fui obrigada a rodar mais pelo continente, seja com o carro do jornal ou com meu próprio carro (onde o perigo de me perder é maior). Já estou conseguindo me virar melhor, mas me sinto mal por ser tão ignorante em relação a um local que está tão perto de mim.
Conhecendo um pouco mais de São José, Palhoça, Santo Amaro, Gov. Celso Ramos e mesmo da Florianópolis continental, já consigo perceber uma realidade bem diferente do que vivemos aqui. Enxergo um povo mais simples, em alguns lugares me lembra algumas cidades minúsculas do interior de Minas Gerais, São Paulo.
É interessante saber que tem gente que, apesar de morar tão perto, fica anos sem ir à praia. Ou então conhecer, alí no continente, praias muito mais bonitas que as da ilha. E não estou falando só da Guarda do Embaú, que era a única que eu já tinha ido nessa região, até o ano passado.
Já estive em quase todo litoral catarinense, fui também a Lages (Festa do pinhão), Criciúma, Tubarão, Joinville, Blumenau (não foi na october), mas sinto que ainda preciso conhecer muita coisa. Sabe, depois desta descoberta da grande Florianópolis, quem sabe eu não parta rumo ao interior!
27 março 2006
Ligação
Acredito que a comparação com o Cristo seja apropriada. Só de imaginar a cidade sem a Ponte dá uma sensação ruim. A Hercílio Luz foi tombada em 1992 como Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico do Município, e é a única do mundo com sistema de olhais na estrutura.Tem 819m de comprimento e 75m de altura. Quando foi definitivamente fechada eu tinha oito anos. Mas a Ponte entrou na minha história bem antes, quando cheguei em Florianópolis para morar. Eu tinha um ano de idade. Ao chegar sobre a Ponte, meus pais ficaram tão emocionados que pararam o carro (naquele tempo o trânsito era outro). Minha mãe desceu comigo no colo, e fui pega de surpresa por um até então desconhecido vento sul. Por causa disso passei meu primeiro mês em Floripa no hospital, tratando de pneumonia. Ainda assim, não vejo a hora de atravessar a "ponte velha" de novo.
Aqui e agora?
A pesquisa da EIU considerou indicadores como segurança, infra-estrutura e oferta de bens e serviços. E para você, o que o melhor lugar do mundo precisa ter? Família, amigos, paz, justiça social, beleza natural... o que mais?
26 março 2006
A Ilha
Os primeiros anos foram de caos absoluto. A inundação de grandes áreas costeiras inviabilizou a zona urbana da ilha. O grande aterro no acesso ao centro da cidade desapareceu sob vários metros de mar e as duas pontes paralelas ligando-o ao continente tornaram-se inúteis. A economia local, baseada nos serviços em torno do turismo e do centro administrativo, entrou em colapso. A capital do estado foi transferida para Blumenau. Traficantes de drogas tornaram-se os governantes efetivos de grandes áreas da ilha.
Chegaram então os agentes da Vereeridge Neederlandsche Geocitoyeerde Oast Compagnie, logo conhecida apenas como VOC. Com seu próprio país congelado, os holandeses formaram uma empresa especializada em adquirir possessões territoriais no ultramar e transformá-las em bases experimentais para novas tecnologias de convivência com o oceano, num mundo que aos poucos ficava embaixo d´água. A VOC obteve rapidamente do governo brasileiro uma concessão de 50 anos sobre a ilha, com o compromisso de transformá-la numa cidade viável.
As cabeceiras das pontes de concreto foram demolidas...
[ Leia na área +D1 Especial, na coluna ao lado, todos os capítulos de A Ilha ]
25 março 2006
Tornado em Ingleses
Só no dia seguinte vi que o estrago passou a uns três quilômetros de onde moro. Tetos no ar, casas a céu aberto, árvores caídas. Escapamos por pouco. Não temos nada que nos defenda dos fortes ventos e vivemos numa ilha. Dependemos da sorte e da proteção divina. Pessoas próximas me ligam ou escrevem para saber se estamos bem. Choveu, disse, e de repente a lembrança da massa de nuvens se forma na minha frente, como um pesadelo. Com meu tamanho, um vento desses me levava para o alto mar.
No fundo o vento é um mistério. Falam em massa de ar fria se chocando contra o calor. Explicam isso todos os dias, para a gente acreditar. Para mim, o vento nasce onde quer e faz o roteiro que bem entende. Talvez tenha um DNA, um programa no seu movimento, que ainda não deciframos. Talvez sejam os espíritos, que adoram nos assustar.
24 março 2006
Não pode multar
23 março 2006
Só em Floripa

Nasci gaúcha, mas aprendi a andar e a falar em Floripa. Ainda assim, não mereço o estatus de manezinha. É meio complicado explicar o que é isso pra quem não conhece a cidade. Não é só um jeito de falar, mas de ser. E também tem variantes - o bom e o mau manezinho.
Hoje foi dia de ver uma amostra significativa da boa manezada reunida, no Ricaldinho da Ilha. A festa, em comemoração ao aniversário da cidade e também de um ex-colunista de Floripa, o Ricardinho Machado, reúne algumas centenas de pessoas em uma área aberta praticamente debaixo da Ponte Hercílio Luz, com direito a muita música, bebida e caldinhos variados, principalmente de frutos do mar. É uma chance de ver o manezês sendo exercitado em sua forma mais pura e de entender porque Floripa virou mania nacional. Parabéns, Ilha querida!
Feliz aniversário
Luz no fim do túnel
Um dos eventos em comemoração ao aniversário da cidade (além dos shows na Passarela Nego Quirido) é a Maratona Fotográfica de Florianópolis, realizada no próximo final de semana (25 e 26 de março). Será a 12ª edição do desafio. Já participei em outras ocasiões e tive duas fotos premiadas individualmente na categoria digital, entre elas esta ao lado. O tema, se não me engano, era "Florianópolis rumo aos 300 anos".Essa questão da foto temática é a parte mais interessante da Maratona; você exercita a criatividade e depois confronta com as idéias dos outros. Mais detalhes sobre o evento no site da Fundação Franklin Cascaes.
A ilha e seus mirantes
Seja um mirante natural, pouco explorado, ou alguma construção/restaurante no alto de um morro sempre cheio de turistas. Se Florianópolis tem algo quase irretocável este algo é a beleza natural. Beleza que vem sendo prejudicada no decorrer do tempo pela poluição, ocupações irregulares, mas ainda é o maior patrimônio desta cidade.O verde, as praias, a Lagoa (foto), as dunas, os passáros, o ceú azul, tudo isso passa uma energia, uma sensação de estar vivo. Não existe remédio melhor para aqueles dias de desânimo, tristeza ou simplesmente nostalgia. Olhar tudo o que temos, toda essa natureza, me faz pensar que os problemas têm solução, que, se tudo aquilo a minha frente existe, as minhas dúvidas os meus dramas são quase nada.
A Ponte Velha

Eu tive o prazer de passar pela Ponte Hercílio Luz, antes de ela ser fechada para o trânsito, em 1982. E era realmente um prazer. Lembro que eu e meus irmãos ficávamos eufóricos ao atravessá-la, nas raras vezes em que minha mãe nos trazia para "a cidade". Era assim que chamávamos Florianópolis. Sair de Antônio Carlos, município interiorano a 40 quilômetros da Capital, e vir para a Ilha era "o" programa. E passar pela "ponte velha" era um dos momentos mais aguardados. Não sei explicar bem o que sentia, um misto de feitiço ao dar de cara com a grandiosidade daquelas torres de aço, e medo da imensidão do mar lá embaixo. Sei que jamais vou sentir isso de novo. Eu cresci. Certamente com seis, sete anos de idade, a Hercílio Luz me parecia bem maior. Mas, sempre que retorno de uma viagem longa e vejo a ponte velha, volto a ter a sensação de estar em casa.
A Ilha
I. Desterro
De uma cidade brasileira em expansão, a ilha converteu-se numa concessão privada de uma companhia estrangeira, ao fim de uma década de transformação violenta. O antigo nome da ilha, abandonado havia mais de um século, foi restaurado com uma surpreendente atualidade para a nova situação: Desterro. Nunca, em seus 350 anos de história, a cidade havia assistido a uma transferência tão rápida e dramática de populações. Quase ninguém ficou onde estava.
O aviso veio pouco antes da década fatal. Depois de um século XX traumático, em que o mundo aprendeu a temer a guerra, um novo alarme global soou nos primeiros anos do século XXI: o clima do planeta estava mudando mais rápido do que previam os cientistas. A elevação do nível do mar em nove metros e o congelamento do Norte Europeu transformariam completamente uma cidade instalada numa ilha costeira da América do Sul.
Os primeiros anos foram de caos absoluto...
22 março 2006
192 posts depois...
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+D1 agradecimento
Com essa lista, feita em parceria com Cléia Schmitz, Kátia Negreiros e Gustavo Cabral, o +D1 encerra o tema Verão. Além de saudar a participação de todos os envolvidos diretamente neste projeto, queremos agradecer também todos os que visitaram o blog e deixaram seus comentários, em especial Ana Paula Luckman, Alexandre Wisintainer, Caio Belludo e Raul Ribeiro, “membros honorários” do +D1.
Novo tema e “edição especial”
A partir desta quinta-feira (23), o +D1 estréia o nono tema: Cidade - a minha, a sua e a nossa. E para marcar a mudança de tema, os textos do +D1 deste dia 23 vão tratar apenas sobre Florianópolis, que estará completando 280 anos. Contamos com a audiência de todos.
21 março 2006
Bye bye Verão
20 março 2006
FARRA DO BOI

Assunto pedreira. No fim-de-semana, em Itapema, morreu um garoto, que caiu do caminhão no momento da farra; no Santinho, um boi invadiu uma propriedade. Há 25 anos participei de uma campanha publicitária na Propague contra a farra. Duas décadas e meia! E o assunto continua na mesma.
A farra é uma tourada popular não disciplinada. Ao contrário, reprimida e negada. Idêntico ao que acontecia com o entrudo, o Carnaval sem lei das ruas, onde havia toda espécie de violência. Os blocos saíam acompanhados dos capoeiras, uma escolta para enfrentar os adversários. O desfile oficial das escolas de samba foi uma invenção dos anos 30: uma intervenção do Estado que disciplinou o Carnaval e que persiste até hoje.
Em Pamplona, na Espanha, há uma gigantesca farra do boi que foi disciplinada pelo Estado: marca-se uma data, define-se um trajeto para os bois correrem soltos (porque esse é o sabor da tourada) e quem quiser entra no meio. Os bichos têm uma vantagem: podem perseguir os loucos que entram no caminho, mas acabam da mesma forma do que na farra por aqui: acabam sacrificados.
É possível que a crueldade na farra do boi entre nós tenha sido trazido por migrantes não identificados com a alegria da festa. A tourada popular era uma brincadeira, um pacto comunitário, de perseguição e cerco a um animal fora do curral, que era enfrentado de mãos limpas. Transformar o jogo em tortura, em encontro de sadismo, foi uma distorção de tudo o que o povo cultivava desde os tempos de colônia. Ou talvez seja mesmo a brutalização dos costumes, que atinge pessoas dentro e fora da região.
O problema é que tudo o que é autenticamente popular é proibido. Foi assim com a capoeira, a umbanda e agora com a farra do boi. Proibir sem ter como reprimir (a polícia de Itapema disse não ter efetivos para acabar com o evento) só serve para incentivar o aspecto transgressor, em detrimento do aspecto lúdico.
A grande farra do boi (vá lá, dos touros) de Pamplona é notícia todos os anos e um gigantesco gerador de recursos. Ninguém fala em barbárie de país não-civilizado, já que a Espanha é um país rico. Nossa farra do boi, sem sadismo nem crueldade, apenas um jogo de pega-pega entre pessoas e animais, poderia ser tratado com mais inteligência. Longe do falso debate entre virtuosos e pecadores.
Só não pode ficar do jeito que está.
16 março 2006
Enquete no ar
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15 março 2006
Lagoa da Conceição: ontem, hoje e amanhã(3)

A última da série, para ilustrar o momento de transformação pelo qual passa o blog. Diferentemente dos gifs anteriores (o primeiro aqui e o segundo aqui), neste a vista não é panorâmica, mas da superfície da lagoa. No quinto croqui, segundo o autor, a Lagoa em 2200. Os netos dos nossos netos serão testemunhas...
Os croquis são do arquiteto Marcelo Cabral Vaz e a montagem em gif animado foi feita pelo programador Sérgio Surkamp.
13 março 2006
Que saudade
O dia depois de amanhã
12 março 2006
tá acabando...
- 80% do comércio de Canasvieiras está devidamente fechado, com direito a cadeadão, correntão e placão de aluga-se. Tudo com "ão" mesmo, pra gente ter certeza que eles só voltam em dezembro - se voltarem;
- de 36 apartamentos existentes em meu condomínio, apenas 6 encontram-se ocupados. Por famílias (inclusive a minha) que já estavam por aqui antes da temporada;
- no supermercado, só tem fornada de pão uma vez por dia, a coca-cola é sempre quente e o Nutella voltou às prateleiras (como argentino gosta de coca-cola gelada, pão e Nutella, minha gente!);
- na praia acabou o lixo, a barraca de milho, a carrocinha da pinga /chorripan e o bar de pagode (ah, como Deus é Pai!)...
Mas sei que o meu "sossego" tem prazo de validade. A data: 15 de dezembro. É incrível: até o dia 14, fica tudo às moscas. Chega o dia 15, isso aqui fica tão diferente... que eu aguardo março ansiosa outra vez :P
11 março 2006
Virações de março
Quando vejo esses dias de março, com um vento já quase frio (pelo menos aqui no norte da ilha), lembro que esse era o mês em que voltávamos ao colégio, depois do longo e interminável verão. Cheiro de livro novo, a agitação das aulas, a saída em algazarra e as primeira providências: camisa de manga comprida, um casaco leve, um gorro.
Era só avançarmos no outono para já sentirmos falta do verão, principalmente da liberdade, quando o que havia era o pé no chão, calção sem camisa, futebol até o campinho virar breu e nos orientarmos apenas pela bola branca que rolava embaixo do céu estrelado. Talvez o veranico, que pode cair em maio ou junho, seja isso mesmo: saudade do verão recente. Mas não podemos ainda ter esse tipo de sentimento, pois os dias anteriores foram de lascar: um mormaço tremendo.
Para não dizer que a falta de assunto nos leva a comentar o clima, digo apenas que março é o ano que se abre para nós como um livro de promessas. O que adiamos por puro deleite ou preguiça começa a tomar conta das nossas rotinas. Aquele livro enviado pela amizade distante, a história que ficou no meio e ainda não escrita, o passo para fazer da vida algo fora desse labirinto, tudo conta quando o tempo dá as caras com suas mudanças. Estamos concentrados para a Copa, tememos o início das campanhas eleitorais, perguntamos o que será da cidade que se transforma, do aperto e da vontade que temos de virar o jogo.
É assim mesmo o texto sobre qualquer coisa: conseguimos chegar à última linha sem acrescentar quase nada. Mas a conversa, no redemoinho das estações, é o hábito mais gratificante quando ainda temos uma civilização.
10 março 2006
Banho de mangueira
06 março 2006
Verão infernal!
Não estou pedindo frio, mas só um pouquinho de ar fresco, 18, 20 graus tá bom. Alguém concorda?
01 março 2006
Povo festeiro
Na segunda à noite quase 20 mil pessoas se aglomeraram nos arredores da rua Hercílio Luz para assistir o Concurso Pop Gay, que pelo 13º elegeu as mais belas e originais drag queens. Nesse evento, especificamente, a programação é voltada para o público gay, inclusive com apresentação de go-go boys. Mas nos dois casos o que me chamou mais atenção foi a grande quantidade de famílias e casais com crianças, além de senhoras mais velhas. Também nos bailes públicos que aconteciam em frente à catedral, esse era o perfil da maioria do público.
Depois fiquei sabendo que houve confusão e tumulto de madrugada durante o Pop Gay. Mas até meia-noite, pelo menos, o clima era de tranquilidade total.
O desfile das escolas de samba também foi super concorrido, com disputa pelos ingressos. Além disso teve festas particulares pra todos os gostos: com e sem fantasia, com marchinha de carnaval ou música eletrônica.
Ficou evidente que a festa está ganhando mais força e se tornando um dos pontos altos do verão em Floripa.